As Plataformas de Conexão e a Relação com o Cliente

As plataformas que conectam clientes aos prestadores são cada vez mais importantes. Mas como gerenciar a satisfação dos clientes?

Nós adotamos a Orquídea (ou Quicks) quando soubemos que ela tinha sido abandonada, ainda filhote. Depois de escapar de um atropelamento, estava em um abrigo à espera de uma família. Ela chegou em casa no mesmo dia em que fomos buscar a Violeta (ou Viola) num criador de Golden Retrievers. As duas tornaram-se melhores amigas, e nós precisávamos de um adestrador. Não conseguimos encontrar o Marcelo. Ele foi o treinador da Valéria, que hoje está no céu dos cachorros.


Hoje há várias plataformas que colocam clientes em contato com profissionais, e usamos o GetNinjas para encontrar um treinador. Dois profissionais entraram em contato conosco pela plataforma, o que encerrou o trabalho do GetNinjas: os dois pagaram pelo “lead”, e eles foram indicados sem custos para nós.


As propostas de trabalho eram diferentes em quase tudo: preço, abordagem, estilo. Acabamos optando pelo Robson, com uma proposta de preço fechado até que as duas estivessem completamente treinadas. Ele na verdade tinha uma empresa: ele coordenava vários adestradores que faziam o treinamento de fato, usando o método dele. No nosso caso, a treinadora foi a Raíssa, desde o início. Super dedicada, chegou a mergulhar na piscina para ensiná-las a sair de lá com segurança, se caíssem. As “meninas” evoluíram muito, mas faltava provavelmente metade do caminho quando a Raíssa foi substituída pelo Luan. Que depois foi substituído por outros. Com a variação dos métodos, elas começaram a regredir. O Gustavo, o último treinador, começou a faltar aos horários marcados e eu descobri que ele precisava deslocar-se de ônibus por longas distâncias, e com uma agenda super apertada que a empresa definia para ele. Não conseguimos resolver o assunto com o Robson, e ficou claro que tínhamos que seguir em frente sozinhos. Nem considerei envolver o GetNinjas, mas se olharmos em portais como o "Reclame Aqui", muita gente espera que a qualidade do serviço deveria ser controlada pelas plataformas.


Este caso me faz refletir sobre essas plataformas e sua relação com os clientes. Toda hora vemos novos aplicativos que são apresentados na imprensa de negócios como “o Tinder dos freelancers”, “o Tinder da construção civil” ou “o Tinder da consultoria”.


Se estas plataformas ajudam a vencer o primeiro obstáculo, que é a barreira do contato, acho que elas deixam muito a desejar nos aspectos que são responsáveis pela perenidade do relacionamento com o cliente - e pela sua satisfação. Isso pode representar oportunidades para outras formas de promover a conexão, e não por acaso, na Zinneke nós usamos a tecnologia para nos ajudar, mas o relacionamento e a curadoria são feitos com talento humano.



  • Mas afinal, quem é mesmo o cliente?


Nem sempre é claro quem é o cliente a ser satisfeito nestas plataformas. Num caso como o do Uber, o cliente é o passageiro. Mas também é o motorista, que pode escolher outros aplicativos para prestar seu serviço. Como alinhar os objetivos das três partes? Que são quatro, no caso do iFood: plataforma, restaurante, entregador e o cliente final. Às vezes, os objetivos estão todos alinhados: uma entrega mais rápida beneficia a todos; já o preço, este será o consequência do equilíbrio de forças das várias relações, em vez de apenas o resultado do equilíbrio clássico entre vendedor e comprador.


No caso do GetNinjas, será que o tomador do serviço final é realmente o cliente? Na história que eu contei, eu poderia estar satisfeito com o preço (não paguei nada ao GetNinjas) e com a rapidez com que profissionais foram indicados. Mas como não há nenhuma curadoria, a qualidade do serviço final não é nada diferente da que eu teria se por exemplo usasse o Google ou o quadro de avisos do pet-shop para encontrar profissionais. Então o cliente de verdade do GetNinjas é o profissional, que é quem paga pelos leads e tem um resultado possivelmente melhor do que se, por exemplo, apenas contasse com o Google para a divulgação de seu site.


É muito importante definir quem é o cliente. E se há mais de um (no caso da Zinneke, as empresas e os consultores), é importante refletir sobre as diferentes necessidades e trabalhar para satisfazê-las todas, de forma alinhada.



  • A indicação de um profissional é tão boa quanto for a definição do problema


Se o cliente precisa de um simples transporte do ponto A até o ponto B em um dado momento, o problema está bem definido. Se alguns parâmetros como qualidade do veículo e a cordialidade do motorista estiverem pré-definidos, o Uber não terá dificuldade em indicar um motorista para o trajeto e satisfazer o cliente final. As coisas ficam mais complicadas se o ponto B for o aeroporto e o cliente estiver carregando várias malas. Ou se tiver necessidades especiais como um cão guia ou uma cadeira de rodas. Estas necessidades não serão resolvidas pela plataforma. O cliente precisará resolvê-las, escolhendo um carro maior nos países em que a possibilidade existe, ou então via uma “negociação” entre cliente e prestador, no calor do momento, não mediada pelo Uber.


Quando as demandas são mais complexas, a curadoria e a adequação do serviço à necessidade voltam para o cliente final. Este é o caso do Airbnb, por exemplo, em que o cliente tomará o risco da decisão baseando-se em fotos e informações (o papel da plataforma é apenas garantir a exatidão destes elementos). Este também é o caso do GetNinjas. E o sucesso da escolha dependerá do conhecimento do cliente em relação ao problema. O que sei eu sobre adestramento de cães?


Esta é outra característica do serviço que prestamos na Zinneke. Trabalhamos intensamente com as empresas para entendermos muito bem o problema a ser resolvido, e com os consultores independentes para identificar seus talentos, qualidades e alinhamento cultural com o cliente. Isso se traduz em indicações que tem sido muito bem sucedidas e avaliadas.



  • A evolução da tecnologia


Alguém poderá argumentar que tecnologias como inteligência artificial e aprendizado de máquina poderão aumentar o alcance destas adequações do serviço oferecido à necessidade. Pode ser. Várias destas plataformas afirmam utilizar estas ferramentas para oferecer o melhor profissional para o serviço.


Eu sou um entusiasta, mas um pouco cético. Acho que isso funciona, hoje, para serviços mais simples e delimitados, e tenho curiosidade de saber se um dia a tecnologia será capaz de fazer o mesmo, com sucesso, para situações mais complexas. Descrever estas situações demanda uma enorme quantidade de questões e informações de contexto, o que tornaria muito longo e tedioso o processo de preencher cadastros e responder questionários, e muito menos eficaz do que seria a interação com um “curador”.


Vamos considerar o caso do adestrador. Além de questões que podem ser expressas facilmente (duas cachorras, a idade delas, o local das aulas, etc.), a coisa fica mais difícil se eu tiver que descrever o temperamento das duas, ou meus objetivos de treinamento, ou ainda questões mais filosóficas sobre incentivos. No final, mesmo a nossa conversa com os candidatos não foi suficiente, e eu adoraria ter recebido a indicação de alguém. Em vez de Tinder, a apresentação por um amigo ou amiga comum. A Zinneke investe na construção de confiança nos dois lados da conexão.



  • No final das contas, a qualidade do serviço depende do profissional


No livro “
A Hora da Verdade”, de 1987, Jan Carlzon dizia que a satisfação era construída com todas as diversas interações que os funcionários da empresa tinham com os clientes durante a prestação do serviço. Será que isso deixou de ser verdade? Acho que não, os conceitos de jornada do cliente e Customer Experience atualizaram aquelas ideias. Mas talvez o foco atual seja menos nas pessoas que prestam o serviço do que nos sistemas com os quais o cliente interage. Por isso, na Zinneke nós seguimos o projeto até o fim, garantindo o sucesso e monitorando a satisfação do cliente. E corrigindo o rumo, se necessário.


Minha experiência com o GetNinjas teve elementos positivos e negativos, mas no final, eu não tinha conseguido que minhas cachorras fossem treinadas. O principal ponto positivo da experiência foi a dedicação da Raíssa. Ela mora perto de casa e um dia a reencontramos. Ela contou que tinha saído da empresa do Robson, e quando soube do que tinha acontecido, disse que adoraria terminar o treinamento das cachorras, estava atuando de forma independente.


Contratamos a Raíssa. A Quicks e a Viola estão fazendo agora as últimas aulas, duas ladies.


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Eduardo Rocha acredita que a tecnologia é mais poderosa quando amplia a capacidade intrinsecamente humana, não quando tenta substituí-la. Fundou a Zinneke com o propósito de ajudar as empresas e os profissionais a serem bem sucedidos e felizes.


Esta foto não é do Unsplash. É do arquivo pessoal.


Por Eduardo Valença 23 de junho de 2026
Durante o intervalo do jogo entre França e Iraque, ontem, foi disparado o protocolo de ação em caso de tempestades com descargas elétricas. O jogo foi interrompido e o público foi removido. Duas horas mais tarde o jogo foi retomado, quando o monitoramento indicou a ausência de descargas atmosféricas dentro de um raio de 13 km por pelo menos 30 min. Este protocolo não foi definido pela FIFA, o organizador do evento. Foi a aplicação da regulamentação existente nos Estados Unidos para eventos em espaços abertos. O protocolo é diferente do que ocorreria no Brasil, em situação similar. O que mais me chamou atenção não foi a interrupção do jogo em si, mas o fato de que diferentes países podem olhar para exatamente o mesmo risco e chegar a decisões diferentes. Isso acontece porque riscos não são apenas avaliados, eles também são descritos de formas diferentes. O caso ilustra três conceitos importantes de gestão de riscos, e como eles são aplicados na prática. Eles podem ser usados para gerenciar sua Cadeia de Suprimentos, mas você verá que eles se aplicam a virtualmente qualquer domínio. Antes dos três conceitos, vale observar que o próprio limiar de aceitação de riscos varia entre geografias e setores O limiar de aceitação de riscos é variável para diferentes indústrias e geografias Esta é talvez a observação mais evidente. Enquanto matavam o tempo, os narradores da transmissão mal podiam esconder o estranhamento com a prática, que é diferente do que se adota em outros países. Inclusive no Brasil, um dos países com maior incidência de descargas atmosféricas. Há um forte aspecto cultural envolvido. Uma série de acidentes com atletas, árbitros, treinadores e espectadores gerou nos anos 2000 a mudança do protocolo. Não foi a alta frequência de acidentes que motivou o debate, foi o reconhecimento de que os acidentes eram perfeitamente evitáveis. Uma leitura apressada poderia concluir que o Brasil, por não ter um protocolo tão rígido, teria um nível de aceitação de riscos menos rigoroso, em geral. Mas isso não é necessariamente verdadeiro: em outros aspectos, como a segurança bancária ou a defesa do consumidor, são as práticas brasileiras que soariam muito mais rígidas para um observador dos Estados Unidos. Estas diferenças aparecem o tempo todo na gestão de riscos: o mesmo tipo de desvio seria considerado de forma muito diferente na Aviação Comercial ou na Construção Civil. Por isso, é importante observar estas diferenças quando um negócio vai servir clientes em um novo país ou em um novo segmento. E agir de forma adequada, deixando de lado o estranhamento que pode tratar essas diferenças como “exageros”. Conceito 1: Ter um protocolo de ação bem definido reduz incertezas O protocolo adotado ontem é bastante claro. Há uma regra explícita (sem descargas elétricas num raio de 13 km por no mínimo 30 min). O risco subjacente não está mais em discussão: o que se discute é se houve ou não houve um raio no perímetro definido. A pergunta passa a ser “O indicador foi acionado?”. Não algo como “Será arriscado continuar com o jogo?”. Esse é um elemento chave da gestão de riscos: o gatilho e a ação são definidos previamente, e então aplicados com rigor. Não existe o “na hora, eu decido”. Isso reduz a variabilidade das decisões e a incerteza. Na gestão das cadeias de suprimentos, protocolos claros de gestão de risco são fundamentais. Há uma pressão quase irresistível por exceções e alguma tolerância. “O estoque já está abaixo do mínimo, mas a nova entrega deve chegar em alguns dias”. Ou “O fornecedor descumpriu a cláusula contratual crítica, mas é complicado substituí-lo”. Situações assim criam pelo menos dois riscos novos. O primeiro é a organização achar que o risco original está mitigado, quando não está. E o segundo é cultural: o que deveria ser uma regra vira uma sugestão. Conceito 2: As decisões e as escolhas devem ser feitas previamente Além de reduzir a variabilidade em comparação com decisões feitas no momento, as decisões tomadas de antemão definem o campo de atuação segura. Para operar de forma segura e operacional, um jato comercial depende de conhecimentos sofisticados de aerodinâmica, ciência dos materiais e termodinâmica. O conjunto dos parâmetros que devem ser mantidos constitui o que é conhecido como envelope de operação. Um piloto não precisa fazer os cálculos para saber se uma condição de voo é segura ou não: ele é treinado para entender como os sistemas do avião o mantém dentro do envelope, e o que fazer se um limite de segurança é atingido. A definição do envelope e das ações de contingência é uma atividade que deve ser feita previamente, considerando o peso das escolhas. Um evento da copa do mundo que dura o dobro do tempo certamente tem impactos negativos, que foram aceitos quando se definiu o protocolo. Posso imaginar que a definição dos 13 km e dos 30 min tenha sido alvo de muito debate, quando o protocolo foi definido. Eu me lembro da discussão que eu tive com um diretor comercial uma vez, em relação a riscos de atrasos de um navio. Ele dizia que aceitava o risco, mas na verdade ele acreditava que o atraso não aconteceria. São coisas muito diferentes. O que estava em discussão não era a existência do risco, mas o tamanho do risco residual que a empresa estava disposta a absorver. Aceitar um risco significa aceitar também suas consequências residuais, caso ele ocorra. Conceito 3: A forma como um risco é descrito afeta o critério de aceitação Talvez o conceito mais interessante que este caso ilustra seja o nível de aceitação de um risco como função do modo como o risco é descrito e enquadrado. Um evento durante uma tempestade pode ser definido de mais de uma forma. Uma forma é considerar o risco em termos de probabilidade e gravidade da ocorrência em si, o que talvez justifique os países que não interromperiam a partida. Mas nos Estados Unidos, um país com uma cultura muito mais agressiva de responsabilização civil e altas indenizações, o enquadramento pode ser diferente, algo como “Se houver um acidente, como justificar não ter parado a partida, se eu poderia detectar a tempestade chegando?”. Diferentes enquadramentos podem provocar decisões diferentes. Por exemplo, considere uma situação sistêmica como uma greve geral, um fator externo que impactasse as entregas para um cliente. É possível descrever o risco como “Força maior que impediu a entrega”. Mas também “Parada de um cliente causada por falha na nossa entrega”. Ou “Estrutura logística do concorrente seria menos afetada do que a nossa durante uma greve geral”. Ou ainda “Oportunidades de ganhar participação de mercado durante uma crise logística". Cada enquadramento define grau de aceitação e ações adequadas, diferentes em cada caso. E até tratar o evento como uma oportunidade potencial. Gestão de Riscos é uma questão estratégica Este caso ilustra um ponto frequentemente subestimado na gestão de fornecedores e na gestão de supply chain, e talvez até em outros temas como ESG e segurança do trabalho. A gestão de riscos tem um componente fortemente estratégico: como os riscos são definidos e como a organização se prepara e se posiciona em relação a eles. É uma atividade preventiva, que tem a enorme vantagem de poder ser feita sem a pressão de agir em reação a algo que já aconteceu e já causou consequências negativas. Você conhece os seus riscos e sabe o que faria sentido para mitigá-los, mas talvez ache que falta tempo para organizar tudo isso. Podemos ajudá-lo, e você vai ver que a confiança de ter uma gestão de riscos robusta vai liberar tempo para você cuidar dos imprevistos (sim, eles continuarão aparecendo).  Comece baixando os nossos guias e estudos de caso gratuitos e fale conosco.
Por Eduardo Valença 16 de junho de 2026
Numa tarde fria de maio em Porto Alegre, eu assistia a um seminário sobre o Futuro da Segurança do Trabalho. Naquela manhã, eu havia apresentado minhas ideias sobre integração de segurança e ESG nas decisões estratégicas e operacionais dos negócios. Talvez eu fosse o único profissional com background em compras na plateia, o que me colocaria em uma posição de observador privilegiado daquela tarde. No palco, uma mesa redonda em que gestores de segurança de várias empresas debatiam conceitos, metodologias e dificuldades de suas trajetórias de melhoria contínua da segurança do trabalho. Após os aplausos, quem levantou a mão para a primeira pergunta foi a Fernanda Mello, CEO de uma empresa gaúcha de serviços de manutenção, construção e projetos. Com um tom amigável e polido, Fernanda perguntou aos painelistas como eles viam um fato que ela observava: prestadores de serviços que colocam grande ênfase nos cuidados com segurança e qualidade acabam, muitas vezes, perdendo contratos para empresas com foco unicamente no preço. Segundo ela, isso acontece até mesmo em clientes para os quais já trabalham: novos entrantes de baixo preço são preferidos para projetos muito desejados, deixando de considerar a experiência de fornecedores que já atuam na organização. Nas respostas, os gestores de segurança reforçaram a importância que estes atributos qualitativos têm, para a segurança e para suas empresas, e em seguida falaram de vários problemas: compradores que acabam focando no preço “ por ser o que se espera deles ”, experiências boas ou ruins com um fornecedor que não são levadas em conta para outras partes da organização, falta de alinhamento entre compradores e responsáveis internos pelo serviço. São temas chave para compras, todos eles. Compradores bem formados sabem que a estratégia para serviços críticos não pode se resumir a uma mera comparação de uma tabela de preços. Esse é o caso de construção e manutenção industrial, mas há muitas categorias assim. As respostas dos gestores, precisas ou não, indicam que as organizações de compras estão falhando em endereçar corretamente estes desafios. Há três possibilidades, e nenhuma delas é positiva para compras. As áreas de compras não levam em conta nada além do preço ? Embora essa seja uma afirmação muito comum, isso não deveria acontecer. Se ainda acontece, é porque algo não está bem alinhado: seja na formação dos profissionais, seja no que a organização comunica como prioridade. Aspectos qualitativos podem ter alguma subjetividade em sua avaliação, mas estão diretamente relacionados ao valor do serviço, que precisa ser comparado junto com o preço. Não fazer essa avaliação é tão absurdo quanto considerar apenas o preço total, deixando de lado o preço unitário. A qualidade do serviço, por exemplo, impacta em outros custos internos como retrabalhos, atrasos e consumo adicional de materiais e outros serviços. E é até mais importante que o preço, em muitas situações. Há aspectos mais subjetivos, como a avaliação de riscos de um fornecedor. Aprovar um fornecedor envolve comparar aspectos presentes e concretos (como o preço) com questões futuras e incertas (como os riscos trabalhistas). É por isso que a avaliação de aspectos qualitativos e a experiência prática com o fornecedor são tão importantes, e fornecedores atuais devem passar por uma boa avaliação regular de desempenho. As outras áreas da empresa não conhecem os critérios que a área de compras adota? Se os compradores estão levando em conta critérios qualitativos, mas as áreas que usam os serviços não sabem quais são esses critérios, a situação talvez seja até mais grave . Pode haver algum desalinhamento nesses critérios, o que é esperado porque profissionais de compras tendem a ter um perfil mais generalista e menos técnico do que as áreas que efetivamente utilizam o que os fornecedores entregam. Mas o desconhecimento revela, principalmente, falta de diálogo entre compras e as diferentes áreas da empresa. Isso indica uma abordagem extremamente processual e operacional de compras, com baixo conteúdo estratégico e baixa aderência às necessidades do negócio. Ter compradores com formação suficiente para compreender bem essas necessidades, com perímetros em um tamanho que permita o adequado aprofundamento, e uma rotina de diálogo com os diferentes usuários internos são boas práticas sem as quais não existe bom desempenho em compras. Os fornecedores (principalmente os parceiros) recebem retorno sobre suas ofertas? A terceira e última possibilidade da situação levantada pela Fernanda é a ausência de clareza sobre as concorrências e seus resultados. Em um mundo em que RFP’s e RFQ’s vêm sendo progressivamente automatizadas, o processo de contratação de um fornecedor pode se tornar algo mais frio e distante, restrito ao que estiver escrito. Sem um processo de clarificação sobre os objetivos do contratante, um fornecedor não escolhido tem poucos elementos para identificar diferenças entre seu posicionamento e o que aquele cliente esperava. Afinal, cada fornecedor decide sua estratégia e suas ofertas com base em premissas distintas, que podem não estar alinhadas às prioridades do cliente para a categoria. Quando o fornecedor já atua na organização , o problema é ainda mais grave. Se você não dá a seu fornecedor os elementos para compreender os eixos de evolução dos serviços que ele presta, não pode esperar que os resultados da parceria avancem. Manter um diálogo produtivo com os fornecedores atuais assegura que as expectativas para o futuro estejam claras. Num cenário assim, o resultado de uma nova concorrência não deveria ser uma surpresa para ninguém. E agora? Que resposta podemos dar para a Fernanda? Eu não conhecia a Fernanda até ouvir a pergunta que ela fez naquela tarde fria. O que eu aprendi sobre a LES, sua empresa, em uma reportagem do Sebrae/RS, mostra que sua CEO participando de um Seminário sobre Segurança não é algo isolado. A empresa se posiciona com um foco em segurança e qualidade, tem iniciativas interessantes em inclusão e gestão de pessoas, e parece ser o tipo de fornecedor que o segmento precisa. Existem muitas outras empresas como a LES, em outros segmentos e outras regiões do Brasil. Eu conheço várias, e elas não deveriam ter dúvidas quanto à sua estratégia. Se sua área de compras ainda olha só para preço, não alinha objetivos e critérios de contratação com as outras áreas da empresa ou não se relaciona de forma estratégica com seus fornecedores, pode estar perdendo as oportunidades que estas empresas podem trazer para seu negócio. Descubra como fazer essa mudança. O relacionamento com fornecedores é um dos temas mais importantes na estratégia de compras, e você pode baixar no link do post, gratuitamente, o Mapa Zinneke da Gestão Estratégica de Fornecedores. E se você quiser aprofundar a conversa, podemos ajudá-lo a conquistar seu próximo sucesso.
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